27 de maio de 2010

Manhã, filhos excepcionalmente acordam cedo, para poupar o pai do trabalho de ir lembrá-los que têm um horário a cumprir. “- Quem vai dar os parabéns primeiro?” “- Mas mainha já o parabenizou, então o próximo será o segundo.” “- Está bem, quem vai dar os parabéns segundo?” “- Na ordem em que estivermos prontos para ir para a escola, passamos no quarto dele antes de sair."

Parabéns mô! Foi o primeiro, primeiro mesmo, de sua esposa, seguido alguns instantes depois de mais três: Parabéns paim! Parabéns pai! Parabéns meu velho! Velho?! Velho nada, novo ainda, fez filho cedo, e ainda agora conserva seu rosto de jovenzinho, seu sorriso de moço tímido, seu olhar de homem bom e seu coração, seu caráter, dignos de uma pessoa bonita , bonita de verdade, uma das duas belezas ( a outra era a mãe ) mais embelezadas que os filhos conheciam e podiam imaginar.

Trabalho, escola e o tempo passa, passa e chega a hora do almoço. Mãe chega mais cedo, macarrão, cheio de ingredientes para satisfazer os gostos de cada um, mesmo que as vezes o gosto de alguém se faça desgosto do outro. Cada qual se serve, alguns tratam de logo de se livrar de seus desafetos comestíveis, outros os toleram e até os saboreiam sem reclamar. Almoço em família, demorado como deve ser: garfadas, novidades, garfadas, provocações, grafadas, risadas, garfadas, lembranças, e assim segue até não haverem mais garfadas e então nada de intervalos na falação, tanto acontece em uma manhã, atropelam-se nos relatos, mas há tempo e atenção para todos.

Depois de encherem os ouvidos e todo o falatório ter aberto novamente o apetite.. sobremesa! Bolo, feito na noite anterior, às pressas, tendo como resultado um bolo bonito de se ver, um pouco doce demais de se provar, é.. só um pouco.

Tarde então, quente, de fazer com que cada um trate de se refrescar por conta própria ou se lamentar por ter de ir enfrentar a afobação dos compromissos. "- Falta muito para escurecer?" "- Não .. é só esperar um pouquinho que vai ver, o dia já se cansa." "- Tô vendo! Anoitece!" E os barulhos de porta começam a ser esperados, e chegam, mas falta um, mais um abrir de porta, o último do dia. Não há mais afazeres, obrigações ou compromissos lá fora. Só há a família, os próximos mais próximos. Não precisam nem se falar, a convivência e a intimidade fazem do silêncio algo agradável, mas ainda assim se falam.

Depois de tudo dito, ou quase tudo: "- Bença mãe! Bença pai!" "- Deus te abençoe meu filho!" Agora sim , tudo dito, inclusive as palavras que garantem um sono bom, dormem. Nem muito, pois não desperdiçam horas em que poderiam estar despertos curtindo a presença dos outros, e nem pouco pois precisam de disposição para fazer do próximo dia , mais um dia feliz!

26/05/10 aniversário do meu pai

1 curativo(s):

Rodrigo Cavaleiro disse...

Ah !!!
Parabéns pai cutia !!!
Qual a minha colocação?

Adorei o desafeto comestível!
Que bom que seu dia foi feliz =)
Cuidado que bolo engorda, e Faça mais um dia feliz.

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